2010/06/01

A vida

Ser um todo é o resultado da ligação corpo, mente e alma. Na plenitude não se está dividido contra si mesmo, portanto, as escolhas que se fazem são benéficas a todos os níveis. Uma vez que se perceba como funcionam as funções da alma, não há nenhuma razão para voltar atrás e viver de outra forma que não seja a partir do nível da alma.
No entanto, viver sem a alma também é fácil. Pode-se ignorar que se está dividido. A vida continua mesmo sem resolver essa questão. Más decisões trazem dor e sofrimento, mas as pessoas aprendem a lidar com isso. Por outras palavras, viver a vida, sem ser um todo é "fácil" devido aos hábitos, à inércia ou a condicionalismos resultantes da idade que são difíceis de quebrar.
O holismo passou a significar alimentos orgânicos, não prejudicar o ambiente, praticar a prevenção e confiar nas medicinas alternativas. Todas estas coisas são inegavelmente boas - são a prova de uma crescente consciência com que as gerações anteriores sonhavam apenas - mas não vão manter-nos no caminho espiritual.
Um estilo de vida holístico deve manter os laços com a alma, mesmo quando esses laços o fazem sentir frágil. Professores espirituais têm lutado com este problema há séculos, perguntando-se como podem diminuir o abismo entre a vida velha e a nova. Ensino e orações não são suficientes. O exemplo, só por si, também não é suficiente. No entanto, muitos seres humanos atravessaram a luz (podemos chamá-los santos, yogis, bodhisattvas, ou simplesmente exemplos inspiradores) mas o que eles conseguiram é real. Se estudar as suas histórias, encontrará um estilo de vida que se pode aplicar a si ou a mim nestes tempos de transição. O seu estilo de vida é simples e pode ser seguido sem ninguém precisar de saber ou aprovar.

Aqui ficam dez passos para a plenitude:

Alimentar o seu corpo de uma forma leve.
Transformar a entropia em evolução.
Comprometer-se com o desenvolvimento de uma maior consciência.
Ter um espírito generoso.
Concentrar-se nos relacionamentos em vez do consumo.
Relacione-se com o seu corpo conscientemente.
Aceite cada dia como um novo mundo.
Deixe o intemporal encarregar-se do tempo.
Sinta o mundo em vez de tentar compreendê-lo.
Procure o seu próprio mistério.

Deepak Chopra – Adaptado de Reinventar o Corpo, Despertar a Alma.

2008/03/23

O nosso problema é que não temos problemas....!!!

(Entrevista de Tulku Lama Lobsang a Gaspar Hernandez, em 2/01/08, publicada no El Periódico, da Catalunha)

*Tulku Lama Lobsang é um médico tibetano que viaja pelo mundo ensinando medicina, psicologia e astrologia e fazendo curas com as mãos e com os olhos.


- Quando um paciente vem a uma consulta, como descobre qual é a sua doença?
- Vendo como se move, a sua postura, a forma de olhar. Não é preciso que me explique o que se passa. Um médico de medicina tibetana com experiência sabe, logo que o doente se aproxima de cerca de 10 metros, de que doença sofre.
- Mas também mede a pulsação?
- Assim obtenho a informação que necessito sobre a saúde do doente. Com a leitura do ritmo dos pulsos consegue-se diagnosticar cerca de 95% das doenças, incluindo psicológicas. A informação que se obtem é tão rigorosa como a de um computador. Mas lê-la requer muita experiência.
- E depois como os trata?
- Com as mãos, com o olhar e com produtos à base de plantas e minerais.
- Segundo a medicina tibetana qual é a origem das doenças?
- A nossa ignorância.
- Perdoe a minha, mas o que entende por ignorância?
- Não saber que não sabes. Não ver claramente. Quando vês com clareza, não tens de pensar. Quando não vês com clareza, pões em funcionamento o pensamento. E quando mais pensamos, mais ignorantes somos e maior confusão criamos.
- Como podemos ser menos ignorantes?
- Dou-te um método muito simples: praticando a compaixão. É a forma mais fácil de reduzires os teus pensamentos. E o amor. Se gostas verdadeiramente de uma pessoa, quer dizer, se não a queres só para ti, aumenta a tua compaixão.
- Que problemas vê no Ocidente?
- O medo. O medo é o assassino do coração humano.
- Porquê?
- Porque com o medo é impossível ser feliz e fazer felizes os outros.
- Como se enfrenta o medo?
- Com a aceitação. O medo é a resistência ao desconhecido.
- E como médico, em que parte do corpo vê mais problemas?
- Na coluna, na parte inferior da coluna: sentai-vos demasiado tempo na mesma posição. Tendes demasiada rigidez.
- Temos muitos problemas?
- Julgamos que temos muitos problemas, mas na realidade o nosso problema é que não os temos.
- Que quer dizer?
- Que nos acostumámos a ter as necessidades básicas resolvidas. De tal forma que qualquer pequena contrariedade nos parece um problema. Então, ligamos a mente e começamos a dar volta e mais voltas sem encontrar solução.
- Tem alguma recomendação?
- Se o problema tem solução, já não é um problema. Se não tem, também não.
- E para o stress?
- Para o evitar o melhor é estar louco.
- Louco?
- É uma brincadeira, mas não tanto. Refiro-me a ser ou parecer normal por fora e, por dentro, estar louco. É a melhor forma de viver.
- Que relação tem com sua mente?
- Sou uma pessoa normal, ou seja penso frequentemente. Mas tenho a mente treinada. Isso quer dizer que não sigo os meus pensamentos. Eles aparecem, mas não afectam nem a minha mente nem o meu coração.
- Ri-se frequentemente.
- Quando alguém ri, abre-se-nos o coração. Se não abres o teu coração. É impossível ter sentido de humor. Quando rimos tudo se torna claro. É a linguagem mais poderosa, liga-nos uns aos outros directamente.
- Acaba de editar um CD de mantras com uma base electrónica para o público ocidental.
- A música, os mantras e a energia do corpo são o mesmo. Tal como o riso, a música é um grande canal para nos ligarmos com os outros. Através dela podemos abrir-nos e transformarmo-nos. É assim na nossa tradição.
- Qual é a coisa de que mais gostaria?
- Gostava de estar preparado para a morte.
- Nada mais?
- O resto não importa. A morte é o mais importante da vida. Creio que já estou preparado. Mas antes da morte devemos ocuparmo-nos da vida. Cada momento é único. Se dermos sentido à vida, chegaremos à morte com paz interior.
- Nós vivemos de costas viradas para a morte.
- Mantendes a morte em segredo, até que chega um dia da vossa vida em que já não será um segredo: não vos podereis esconder.
- E a vida que sentido tem?
- A vida tem sentido e não tem. Depende de quem sejas. Se realmente vives a tua vida, tem sentido. Todos temos vida, mas nem todas as pessoas a vivem. Todos temos direito a ser felizes, mas temos de exercer esse direito. Se não, a vida não faz sentido.

2006/01/02

Nós...

Nenhum Homem é livre se não consguir controlar-se a si próprio.

A preocupação deve conduzir-nos à àcção e não à depressão.

Pitágoras